0.
Uma menina...
1.
Um primo para eu brincar! O meu priminho bébé...
2.
Muitos mimos, com toda a certeza.
3.
Mais mimos... só acompanhada por eles é que faz sentido crescer.
4.
Um mano para eu chatear, que bom!
E a primeira prima, e mais outro primo. A turma estava a começar a compor-se, mais tarde seriam as primeiras vítimas reais da minha loucura pelo ensino.
5.
Ele, o meu amigo, tinha um rato branco com que nos entretínhamos a brincar. E havia a nossa árvore das necessidades, o espaço era dividido irmãmente, eu no lado esquerdo ele no direito.
6.
Lembro-me de subir as escadas até à sala onde estavam outras meninas e meninos. Alguns, por não entenderem a razão pela qual os abandonavam ali, choravam desalmadamente...
7.
O monte era o nosso mundo das brincadeiras, meu e da amiga que nunca mais vi. Tantas cumplicidades...
8.
Pastelinhos de nata ao lanche, no intervalo da aula. A avó-mina tinha de trazer também uma colher do café, até hoje só assim me sabem bem os pasteis de nata - comidos à colherzinha.
Nesta altura, já eu começava a dar aulas. Os alunos eram imaginários, o quadro era real e construído especialmente para mim. Meu querido avô Pincel, que davas asas às minhas fantasias!
9.
No recreio, lembro-me de brincar à carica e ao berlinde. Na aula, levávamos uma reguada por cada erro dado no ditado.
10.
O monte dos vendavais. O nosso monte. A bolinha...
11.
A primeira paixão platónica. Como as outras que viriam mais tarde, durou e durou e durou...
12.
As asneiras inocentes. Era o tempo das experiências.
13.
O monte da escola. Maluquices atrás de maluquices.
14.
A Barragem de Santa Luzia. Deliciosos momentos, eternas saudades.
15.
Paixões ingénuas. Muitas e muitas, que assim é que se queria.
16.
O significado da palavra amizade. Meu grande amigo.
17.
O comboio efectua paragens em Aveiro, Espinhigaia. Minha grande amiga.
18.
A festa. Estava convicta que aqueles seriam os melhores momentos da minha vida.
19.
A descoberta de Gabriel García Márquez. Obrigada titi.
20.
Ele era perfeito demais. Fui feliz durante um tempo.
- A menina quer ser professora, mas não quer experimentar ir para o ramo científico?
- Não sei, nunca tinha pensado nisso. Pode ser.
21.
Números e mais números, letras e mais letras, figuras e mais figuras... no que eu me haveria de meter!
22.
Duas alunas apenas, era a semana do caloiro. Com todo o medo com que estava, foram mais elas a conduzir a aula que propriamente eu...
23.
Amsterdão. Prometi lá voltar.
24.
Paixão que haveria de se tornar traiçoeira, muito traiçoeira.
25.
Arizona. O descanso merecido. Abordagens Lagrangiana e Hamiltoniana de Problemas de Optimização – Num Contexto Riemanniano.
26.
Talvez não tivesse valido a pena. Perdi mais do que ganhei.
27.
Finalmente uma decisão acertada, há muito que tal não acontecia por estas bandas. Um terraço fantástico. A maria adorou.
O regresso aos amigos.
28.
A maria e eu.
A volta profunda ao passado. Era inevitável.
29.
De repente lá estava eu à frente de toda aquela gente e tinha de ser em inglês... (Junior Meeting Turin)
Adeus maria.
30.
Barcelona. Inesquecível.
Volto a apaixonar-me. Sem comentários.
31.
Reencontro intrigante e inesperado. Loucura fantasiada.
O mundo das danças. Interessante.
Coimbra teve outro sabor, com a amiga por cá...
32.
Aqui estou.
30 maio 2006
3RA UMA VE2…
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iké
eram
1:30 a.m.
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29 maio 2006
...
Do meu coração ao teu
vai um parágrafo inteiro
atafulhado em letras e pontuações
consumo as vírgulas
- a ver se lhes ponho os finais mais cedo
Jorge Serafim
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iké
eram
6:56 p.m.
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28 maio 2006
E eu aqui a pensar não sei bem em quê...
Pesquisas por realizar. Testes por construir. Cantos por arrumar. Paredes por pintar. Flores por tratar. Viagens por fazer.
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iké
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5:50 p.m.
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O que eu fui descobrir... (1986)
O meu amor é tão grande
Como o céu dos passarinhos
O meu amor é borradito
E chamam-lhe coca-bichinhos
Tem bochechas de porcelana
E olhos de algodão
E anda toda a semana
a chamar-me Tio Cão.
do titi Dói-Dói
Amiga do mê coração?
Ai de mim que assim não fosse!
Ca-le gria ca-legria
Quem seria ca foi ca trouxe?
do avô carraço
No meu jardim dos amores
Nasceu uma “florinha”
- Em Maio - mês das flores,
E a quem eu chamo Liginha
Às vezes, chamo-lhe “Meu Sol”
Outras vezes, “Passarinho”,
Pela ternura que me dá
Misturada num beijinho
Que ela seja sempre assim...
- amiguinha - quem me dera!
Para que no meu jardim
seja sempre Primavera!
Um xi-coração cheio de Amor,
da Mamã
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iké
eram
4:20 p.m.
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23 maio 2006
Bedazzled
Ooh-ooh, ooh-ooh, I'm bedazzled
I don't care
Ooh-ooh, ooh-ooh, I'm bedazzled
So you said
You knock me out
I don't want you
You bust me up
I don't need you
You burn me up
I don't love you
You plug me in
Leave me alone
You switch me on
I'm self-contained
You light me up
Just go away
I'm bedazzled, I'm bedazzled, I'm be-dazzled!
You glimmer
I'm fickle
You glitter
I'm cold
You shimmer
I'm shallow
You drive me wi-i-ild, you drive me wild!
You fill me with inertia
You knock me out
Don't get excited
You bust me up
Save your breath
You burn me up
Cool it
You plug me in
I'm not interested
You switch me on
It's too much effort
You light me up
Don't you ever leave off?
I'm bedazzled, I'm bedazzled, I'm be-dazzled!
I'm not available
Peter Cook / Dudley Moore
(in Tom Waits, Nick Cave and Friends; Nick Cave, Anita Lane – Bedazzled)
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iké
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12:32 p.m.
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22 maio 2006
outras flores, outros momentos
cravos-túnicos amarelos da rotunda dos arcos
florzinha amarela da árvore encontrada pelo caminho
malmequer branco do jardim da vizinha
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iké
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5:10 p.m.
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A rosa
No mesmo local, num dia já distante e talvez a uma hora mais tardia, recebera uma rosa. Uma outra rosa. E esta sim era para ela. E cada pétala tinha um beijinho. A originalidade com que as pétalas alcançavam a palma das suas mãos, encantava-a. Guardou as pétalas e os respectivos beijinhos na caixa das recordações.
Foi irracional. Oferecer-se para ficar com a rosa, que a amiga parecia não querer aceitar. Inconscientemente queria relembrar. O perfume e os beijinhos. Os beijinhos que há muito fugiram...
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iké
eram
5:07 p.m.
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21 maio 2006
Valsinha
Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz
Chico Buarque / Vinícius de Moraes
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iké
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11:33 p.m.
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coisa nenhuma
Escuridão. Não encontro o interruptor.
Mal consigo ver. A luz é verdadeiramente escassa.
Frio. Não encontro o agasalho.
Estou a regelar. A temperatura está drasticamente baixa.
Fraqueza. Não encontro o alimento.
Faltam-me as forças. A despensa está assustadoramente vazia.
Vertigem. Não encontro o caminho.
Ando às voltas e voltas. O labirinto é deveras confuso.
Loucura. Não encontro a razão.
Troco as sílabas quando falo. A realidade está fora do lugar.
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iké
eram
1:49 p.m.
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19 maio 2006
ladainha
sentado em pé
num banco de pau de pedra
a ler um jornal sem letras
à luz de um candeeiro apagado
e assim dizia calado:
Era e não era
andava na serra
com bois de bugalho
e arados de palha
o seu pai era morto
a sua mãe por nascer
o diabo do rapaz
o que na cabeça se lhe havia de meter.
Atou as pernas à cintura
e com as asas começou a correr.
Encontrou um marmeleiro carregado de avelãs
subiu por ele acima
e foi colher as maçãs.
Veio a dona do meloal:
Ah ladrão! Que andas a roubar a fruta alheia.
Atirou-lhe com uma raiz de alface à cabeça
que lhe fez um buraco no joelho.
transmitido à minha mãe nos anos 60 por uma amiga do Ervedal da Beira
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iké
eram
8:37 p.m.
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Sublime!
...obnubilado por completo por um disparate genial do poeta bogotano D. José Manuel Marroquím, que enlouquecia o auditório desde a primeira estrofe:
Agora que os ladros canzoam, agora que os cantos galam,
agora que albando a toca os altos ressoos sinam;
e que os zurros burram e que os gorjeios passaram,
e que os assobios serenam e que os grunhos marranam,
e que a aurorada rosa os extensos douros campa,
perlando líquidas vertas qual eu lágrimo derramas,
e friando de tirito se bem tenha a abrasa almada,
venho a suspirar meus lanços janelo de tuas debaixas.
in Viver para Contá-la, Gabriel García Márquez
publicado pela
iké
eram
3:58 p.m.
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